Crise hídrica confirma necessidade de discutir a
maneira como a água é desperdiçada
Altas
temperaturas e falta de chuva ocasionaram uma das piores crises hídricas já
vistas. Em São João da Boa Vista o volume de chuvas não era tão baixo desde
1943, segundo a Sabesp. Em janeiro de 2014 a cidade registrou apenas 75 milímetros
de chuva, quando a média seria 300 mm. Mas, durante o ano, a Companhia de
Abastecimento descartou a possibilidade de racionamento. A justificativa é que
a Sabesp continuava tratando a mesma quantidade de água dos últimos meses e a
população atual permanece a mesma no período. Os representantes da Companhia
afirmaram ainda que só haveria racionamento em caso de desperdício.
Mesmo
assim, alguns bairros da cidade foram prejudicados com a falta d’água,
entretanto, a Sabesp afirmou que o problema foi causado por excesso de consumo.
Já
algumas cidades da região decretaram estado de emergência, como Aguaí, que
declarou racionamento em agosto. A cidade também impôs multas de R$ 100,58 para
quem fosse pego desperdiçando água.
Tambaú
também decretou estado de calamidade pública e ainda solicitou apoio das
cidades vizinhas. Houve finais de semana em que a cidade toda ficou sem receber
água. A multa também foi aplicada e o valor pode chegar a R$ 600.
O
Legislativo estudou a criação de lei que multasse aqueles que desperdiçassem água
em São João, a exemplo de das cidades da região. Mas os representantes da
Câmara afirmam que seria necessária uma iniciativa do Executivo. “Cogitamos ver
se existia a necessidade de desenvolver essa lei que aplica multas. Mas quando
se trata de multas cabe ao Executivo fazer uma lei para que a Câmara aprove e,
dessa forma, inibir o desperdício”.
Além
dessa medida a Sabesp estuda conceder desconto na conta de quem economizar.
Isso porque o governador Geraldo Alckmin anunciou que os paulistanos que
economizarem 20% da água, terão 48% de desconto, praticamente metade do valor.
Mas como a medida é válida somente para a capital, a Companhia ainda analisa
formas de incentivar a economia.
'Cidadão, economize água'
Embora
as informações veiculadas apontem para uma situação controlada, a falta de água
já vinha sendo observado pela Sabesp. Em áudio de uma das reuniões da diretoria
da Sabesp que vazou, a presidente da empresa, Dilma Pena, admitiu que a
população deveria ter sido comunicada da crise hídrica, para que economizasse
água. Mas ela disse que “seus superiores” não permitiram. “A Sabesp tem estado
muito pouco na mídia, acho que é um erro. Nós tínhamos que estar na mídia, com
os superintendes locais, nas rádios comunitárias todos falando, com um tema
repetido, um monopólio: ‘Cidadão, economize água’”.
De
acordo com a Organização das Nações Unidas, cada pessoa necessita de 3,3
m³/pessoa/mês (cerca de 110 litros de água por dia para atender as necessidades
de consumo e higiene). No entanto, no Brasil, o consumo por pessoa pode chegar
a mais de 200 litros/dia.

