quarta-feira, 8 de abril de 2015

Água, pra que te quero?

Crise hídrica confirma necessidade de discutir a maneira como a água é desperdiçada

Altas temperaturas e falta de chuva ocasionaram uma das piores crises hídricas já vistas. Em São João da Boa Vista o volume de chuvas não era tão baixo desde 1943, segundo a Sabesp. Em janeiro de 2014 a cidade registrou apenas 75 milímetros de chuva, quando a média seria 300 mm. Mas, durante o ano, a Companhia de Abastecimento descartou a possibilidade de racionamento. A justificativa é que a Sabesp continuava tratando a mesma quantidade de água dos últimos meses e a população atual permanece a mesma no período. Os representantes da Companhia afirmaram ainda que só haveria racionamento em caso de desperdício.
Mesmo assim, alguns bairros da cidade foram prejudicados com a falta d’água, entretanto, a Sabesp afirmou que o problema foi causado por excesso de consumo.
Já algumas cidades da região decretaram estado de emergência, como Aguaí, que declarou racionamento em agosto. A cidade também impôs multas de R$ 100,58 para quem fosse pego desperdiçando água.
Tambaú também decretou estado de calamidade pública e ainda solicitou apoio das cidades vizinhas. Houve finais de semana em que a cidade toda ficou sem receber água. A multa também foi aplicada e o valor pode chegar a R$ 600.
O Legislativo estudou a criação de lei que multasse aqueles que desperdiçassem água em São João, a exemplo de das cidades da região. Mas os representantes da Câmara afirmam que seria necessária uma iniciativa do Executivo. “Cogitamos ver se existia a necessidade de desenvolver essa lei que aplica multas. Mas quando se trata de multas cabe ao Executivo fazer uma lei para que a Câmara aprove e, dessa forma, inibir o desperdício”.
Além dessa medida a Sabesp estuda conceder desconto na conta de quem economizar. Isso porque o governador Geraldo Alckmin anunciou que os paulistanos que economizarem 20% da água, terão 48% de desconto, praticamente metade do valor. Mas como a medida é válida somente para a capital, a Companhia ainda analisa formas de incentivar a economia.

'Cidadão, economize água'
Embora as informações veiculadas apontem para uma situação controlada, a falta de água já vinha sendo observado pela Sabesp. Em áudio de uma das reuniões da diretoria da Sabesp que vazou, a presidente da empresa, Dilma Pena, admitiu que a população deveria ter sido comunicada da crise hídrica, para que economizasse água. Mas ela disse que “seus superiores” não permitiram. “A Sabesp tem estado muito pouco na mídia, acho que é um erro. Nós tínhamos que estar na mídia, com os superintendes locais, nas rádios comunitárias todos falando, com um tema repetido, um monopólio: ‘Cidadão, economize água’”.
De acordo com a Organização das Nações Unidas, cada pessoa necessita de 3,3 m³/pessoa/mês (cerca de 110 litros de água por dia para atender as necessidades de consumo e higiene). No entanto, no Brasil, o consumo por pessoa pode chegar a mais de 200 litros/dia.



segunda-feira, 6 de abril de 2015

Censura moderna

Na década de 70, o Regime Militar calou a voz de muita gente mas alguns fatos demonstram que a censura não acabou

Censura tem origem no latim e significa ato ou efeito de censurar, repressão ou reprimenda.
Independente do significado, toda censura traz em si a restrição da liberdade e do conhecimento, algo que, nos anos 60, 70 e início dos 80, foi bastante exercido pela ditadura militar.
Foram muitos os artistas, escritores e jornalistas exilados ou, em casos mais extremos, mortos pelo regime ditatorial, ao tentarem expor suas ideias, sempre levadas para outro lado, distorcidas.
Com a abertura, a Anistia trouxe de volta o irmão do Henfil e tanta gente que partira, acenando, com esperança, a um novo tempo, onde a liberdade de expressão já era possível.
Será que, 30 anos decorridos, esta realidade é a que temos vivido?
Em 31 de junho de 2011, O Estadão trouxe a manchete “Em dois anos, 17 casos de censura judicial no país”, que tratava da proibição, no Estado do Tocantis, de noticiar uma investigação.
A proibição envolvia 84 veículos, entre jornais, revistas, sites, rádios e TVs, os quais ficaram impedidos de transmitir a investigação do Ministério Público a respeito do ex-governador do Estado, Carlos Gaguim (PMDB), num suposto esquema de fraudes e licitações. Detalhe: Gaguim era candidato a reeleição e, mais tarde, ele próprio pediu suspensão da liminar [Confira este e outros casos de censura].
Outro caso recente de censura foi expresso na manchete “Censura estatal e morte de jornalistas ameaçam a liberdade na América Latina”, publicada no jornal O Globo, em 21 de outubro de 2013, A matéria ainda diz: “As ameaças de governantes da região à mídia protagonizaram os debates da 69ª Assembleia Geral da SIP, realizada até terça-feira em Denver, nos Estados Unidos”.
Na ocasião, Jaime Mantilla, presidente da Sociedade Internacional de Imprensa (SIP), declarou que os governos latino-americanos, com a apresentação de um estudo sobre as restrições que a imprensa da Argentina, Equador, Venezuela e Cuba sofreriam, queriam semear ódio e medo [Leia matéria na íntegra].
Em 9 de março deste ano o mesmo site trouxea manchete de que “Relatório aponta a impunidade como principal obstáculo para a imprensa nas Américas”. Um Documento,da Sociedade Interamericana de Imprensa, terá por objetivo permitir a condenação de governantes que atentarem contra a vida – e consequente liberdade de expressão – dos jornalistas e membros da imprensa.
Em suma, um (provável) basta a impunidade.
Ao fazer um balanço dos últimos seis meses, o Relatório levanta que oito jornalistas foram mortos na América do Sul e Central.
Baixou a resolução final para exigir que os governos dos países sejam rigorosos nas investigações do caso, até que os culpados sejam localizados e devidamente punidos, na rigorosidade da Lei. “A censura é a arma utilizada pelos governos de diversas maneiras que representam obstáculos à livre difusão nos veículos de imprensa e nas redes sociais”, é o que consta do documento.
Venezuela, Equador e Argentina estão no rol dos que perseguem e intimidam o jornalismo, fazendo uso de legislações e censura.
O documento também afirma que não se pode permanecer passivo quando se trata do cerceamento de liberdades. “Para nós, a liberdade de imprensa é um princípio, não importa qual seja o regime que a ataque.”


Por Daniela Prado